O mundo foi abalado em 26 de maio de 1991, quando um Boeing 767-300ER operado pela Lauda Air, que transportava 223 pessoas, caiu perto de Ban Nong Rong, na Tailândia. O voo 004 ia de Bangkok para Viena, mas parou na cidade tailandesa de Bangcoc, para pegar mais passageiros. Foi durante esse voo que aconteceu um dos acidentes mais trágicos da história da aviação.

A tripulação do voo incluía dois pilotos experientes, o capitão Thomas J. Welch e o copiloto Josef Thurner, que tinham 46 e 33 anos à época, respectivamente. A aeronave decolou às 20h13min, horário local, e subiu para uma altitude de cruzeiro de 14.300 pés, a cerca de 80 milhas náuticas a nordeste de Bangcoc. E, foi o que aconteceu a partir desse momento que culminou na tragédia.

Aos 11 minutos de voo, o co-piloto Thurner iniciou uma manobra para redefinir o sistema de controle de voo, mas acabou por desativar acidentalmente o sistema do lado esquerdo da cauda do avião, conhecido como elevador, que é usado para controlar a altura da aeronave. O avião começou a voar em um ângulo ascendente sem que os pilotos tivessem controle sobre ele.

Imediatamente, o Capitão Welch tentou assumir o controle da aeronave, mas encontrou resistência devido ao mecanismo de controle do ângulo de subida. A falta de feedback no joystick do capitão, juntamente com a falta de consciência situacional da tripulação, agravou ainda mais a situação. O 767 só voltaria a ter controle de altura quando começou a cair em uma espiral descontrolada.

As várias tentativas dos pilotos para recuperar o controle do avião foram em vão, o que levou a um impacto abrupto no solo, matando todos os que estavam a bordo. Esse acidente aéreo foi não só devastador para as famílias dos passageiros e tripulantes, mas também para a indústria da aviação, tendo em vista que foi um dos acidentes mais fatais envolvendo um jato comercial no início da década de 90.

A investigação posterior descobriu que o acidente da Lauda Air Boeing 767 foi causado por uma falha técnica no sistema de controle de voo e pela má manutenção dos amortecedores da cauda do avião. Um relatório divulgado em outubro de 1991 pela Junta Nacional de Segurança do Transporte dos Estados Unidos afirmava que a desativação do sistema do lado esquerdo da cauda do avião, conhecido como elevador, que foi feito de forma inadequada por Thurner, era a causa primária do acidente.

No entanto, a causa raiz do acidente foi a falta de conscientização situacional por parte da tripulação do voo 004. A tripulação falhou em reconhecer a situação em que estavam e tomar as medidas necessárias para corrigir o problema. A falta de treinamento e prática da tripulação em casos de emergência também contribuiu para o desfecho trágico.

Em resposta ao acidente, a indústria da aviação empreendeu várias mudanças, incluindo a melhoria das práticas de manutenção e a implementação de treinamento para pilotagem em situações de emergência. Além disso, a Federal Aviation Administration (FAA) dos Estados Unidos emitiu um alerta de segurança, solicitando aos operadores de aeronaves Boeing 767 que revisem os procedimentos de treinamento dos pilotos para que eles pudessem lidar de forma mais eficaz com emergências.

Em conclusão, o acidente da Lauda Air Boeing 767 foi um dos acidentes mais trágicos na história da aviação comercial. Este evento deixou enlutada toda a aviação global e testemunhou varias mudanças positivas nas operações de aviação e nos procedimentos de segurança da indústria em todo o mundo. A empresa aérea Lauda Air não sobreviveu ao acidente e encerrou suas operações em 2004, mas as lições aprendidas a partir desse desastre estão sendo aplicadas na indústria da aviação até hoje, a fim de garantir a segurança dos passageiros e tripulantes.